Domingo, Dezembro 24, 2006

Zumbidos

Entre paredes e luzes sufocantes
As vestes parecem não serem mais vestes
O corpo já não mais sorri
A boca seca
Os lábios trêmulos
E os ouvidos,
Lanças pontiagudas em minha mente
Espremem qualquer possibilidade de prazer

Do alto das correntes prateadas
A feder estupidez
E cuspindo fogo em meus rancores
O empresário aponta com seu musculoso dedo indicador
Aos seres transparentes de amarelo
As milhares de tarefas que nunca cumprirá

Os adolescentes, tão velhos
Já estão cegos
E não enxergam os trabalhadores que pelo salão
Carregam suas falsas felicidades
A apatia e morbidez de suas vidas
É a todo momento
Anunciada pelas faixas dos discos
Cantada no playback de rádio FM
Pintada em suas ações
Reproduzida nos seus olhares
Plásticos, futilidades
Coisa de colo?

Retorço-me em sentimentos brutais
O suor escorre como ácido pela pele
Sob meus pés, esmago violentamente as latinhas
Sem caráter algum
Imagino a cara de espanto delas, dos psicólogos...

Gargalho, com o corpo todo dolorido
E a mente cada vez mais irriquieta
Imaginando as grandes festas que ainda virão no futuro
E todas as latinhas,
pisoteadas...

Olho para morena de cabelo encaracolado,
Lábios limpos, sem batom
Pura classe
Tão suada quanto linda
E suspiro em seus ouvidos
´´Sua boca,
tão vermelha, tão vermelha...´´

1 Comments:

Blogger eterno_aprendiz said...

nunca é tarde para se ter a boca seca, inda que muitos a experimentam muito cedo, mesmo fazendo parte do festival plastificado...

6:26 PM  

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